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As Sete Séries Fixas do Método INatha

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    INatha
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  • 8 min de leitura

Atualizado: há 19 horas

INatha Podcast - As Sete Séries Fixas do Método INatha

As Sete Séries Fixas como preparação consciente para o Haṭha Yoga tradicional


O conjunto das sete séries fixas do Método INatha não constitui um sistema de “ativação de chakras” no sentido comum ou popular do termo. Elas não substituem, nem pretendem antecipar, as práticas centrais do Haṭha Yoga Nātha, especialmente aquelas que dizem respeito ao despertar efetivo de Kuṇḍalinī e à abertura real do canal central, Suṣumṇā.


Na tradição Nātha, é fundamental manter uma distinção clara entre preparação, educação da consciência e prática técnica avançada. O prāṇa não percorre Suṣumṇā de modo estável e efetivo por meio de visualizações, intenções mentais ou sequências corporais isoladas. Esse movimento só se estabelece, de fato, através da prática integrada dos āsanas, dos prāṇāyāmas e, sobretudo, dos 36 mudrās tradicionais, que constituem o núcleo operativo do Haṭha Yoga clássico.


As sete séries aqui apresentadas situam-se antes desse limiar. Elas pertencem ao campo do Sūkṣma Vyāyāma, isto é, práticas preparatórias que refinam a percepção, reorganizam o corpo sutil, educam o ritmo respiratório e, principalmente, treinam a consciência para reconhecer dimensões cada vez mais sutis da experiência encarnada.



Chakras como campos de percepção.

Dentro desse contexto, os chakras não são tratados como centros a serem “ativados”, mas como áreas de sensibilidade progressiva, zonas do organismo onde a relação entre corpo, respiração, mente e consciência pode ser percebida com maior clareza.


As cinco primeiras séries estão associadas aos cinco elementos e aos cinco primeiros chakras. Elas organizam a experiência encarnada:


  • Fundamento (Maulika Vinyásakrama) Primeiro Chakra - Elemento Terra

  • Mobilidade (Sarasata Vinyásakrama) Segundo Chakra - Elemento Água

  • Força (Balata Vinyásakrama) Terceiro Chakra - Elemento Fogo

  • Estabilidade (Sthirata Vinyásakrama) Quarto Chakra - Elemento Ar

  • Flexibilidade (Prasaritata Vinyásakrama) - Quinto Chakra - Elemento Espaço


Essas séries ajudam o praticante a habitar o corpo com mais presença, tornando perceptíveis os níveis mais densos e intermediários da experiência.


A sexta série Soma Namaskāra Krama e a sétima série do ciclo, formada pelo grupo de 7 séries tradicionais de ásana da Natha Sampradaya, no entanto, cumprem uma função qualitativamente distinta. Elas não aprofundam o domínio da forma — elas preparam a consciência para o contato com aquilo que sustenta e transcende a forma.



Soma Namaskāra Krama: a ponte silenciosa

A Soma Namaskāra Krama, associada ao sexto chakra (Ājñā), ocupa um lugar absolutamente central na arquitetura do método. Ela não é apenas mais uma série, mas a ponte entre dois mundos de prática:


  • de um lado, as séries ligadas aos cinco elementos e à organização da prakṛti;

  • de outro, a preparação das sete séries Nātha tradicionais, diretamente relacionadas ao eixo da coluna, ao movimento do prāṇa e à abertura das nadis e indiretamente ao processo de despertamento de Kuṇḍalinī.


Soma, na tradição tântrica e nātha, não é apenas um princípio lunar simbólico. Ele representa a substância sutil do silêncio, a qualidade de consciência que não reage, não se projeta e não se dispersa. Soma é aquilo que aquieta e estabiliza a atenção, tornando-a capaz de sustentar processos mais profundos sem colapso, excitação ou fantasia.


Por isso, a Soma Namaskāra Krama não busca gerar intensidade, nem produzir estados alterados. Seu propósito é, através do relaxamento, afinar a consciência com a presença do silêncio, educando o praticante a reconhecer uma dimensão da experiência que não depende do fazer.



Ājñā, Bindu e a preparação da consciência

O sexto chakra, Ājñā, não é compreendido aqui como um centro de “visão psíquica”, mas como um ponto de reversão da consciência. É o limiar onde a atenção começa a se desacoplar da identificação automática com a forma, com o movimento e com o esforço.


Associado a Ājñā está o Bindu, não como um local anatômico, mas como o princípio da não-localidade, da origem não manifestada da experiência. O contato com Bindu não pode ser forçado; ele só se torna perceptível quando o excesso de interferência — física, respiratória e mental — é reduzido.


A Soma Namaskāra Krama cumpre exatamente essa função: não ativar, mas remover ruídos. Não conduzir o prāṇa por Suṣumṇā, mas preparar a consciência para sustentar, no futuro, esse movimento real, quando ele vier a acontecer pelas vias tradicionais.



Sahasrāra: identificação e desidentificação

A sétima etapa do sistema está associada ao Sahasrāra Chakra, compreendido não como um “chakra superior” no sentido hierárquico, mas como a porta de entrada e de saída da consciência.


É através de Sahasrāra que a consciência:


  • se identifica com a forma,

  • permite a individualização do prāṇa,

  • torna possível a experiência encarnada,


e é também por Sahasrāra que:


  • ocorre a desidentificação,

  • a reabsorção,

  • o retorno ao silêncio não diferenciado.


Por isso, após a Soma Namaskāra Krama, o praticante está mais preparado para ingressar na preparação das sete séries Nātha tradicionais, onde o trabalho de iniciação ao prāṇa bandha, a técnica essencial para fazer de uma posição física um ásana, pode ocorrer com maior clareza e respeito ao processo.



Uma pedagogia do respeito à tradição

Este método não propõe atalhos, nem substituições. Ele se ancora no reconhecimento de que o Haṭha Yoga tradicional é um caminho progressivo, técnico e profundamente consciente. As séries preparatórias não despertam Suṣumṇā, não ativam Kuṇḍalinī e não pretendem fazê-lo.


Elas cumprem uma função mais sutil e igualmente essencial: preparar o corpo, o prāṇa e, sobretudo, a consciência para que, quando as práticas tradicionais forem introduzidas, elas encontrem um campo receptivo, estável e silencioso.


Nesse sentido, a Soma Namaskāra Krama é o coração silencioso do sistema — o ponto onde o Método desintoxica o praticante do excesso do "fazer" e incorpora gradativamente a percepção daquilo que sempre esteve pronto e presente.



A organização das sete séries no método


As sete séries que compõem este método são praticadas em sequência, respeitando a ordem dos chakras e a progressão da consciência do mais denso ao mais sutil. Elas não são práticas isoladas, mas partes de uma única arquitetura pedagógica, na qual cada série prepara o terreno para a seguinte.


Essas sete séries se organizam em quatro grandes grupos, de acordo com sua função, natureza técnica e nível de sutileza da prática.



Primeiro grupo: a Série Fundamental - Maulika Vinyāsa Krama


O primeiro grupo é composto por uma única série e suas variações: a Série Fundamental, chamada Maulika Vinyāsa Krama.


Esta é a série-base do método. Ela contém, em estado germinal, todas as outras séries. Por isso, é praticada como a primeira.


A Maulika Vinyāsa Krama:


  • estabelece os fundamentos da técnica, alinhamento e forma dos ásanas e vinyásas,

  • organiza o corpo,

  • educa o ritmo,

  • cria o suporte estrutural e perceptivo para todas as práticas posteriores.


Ela está relacionada ao primeiro chakra (Mulādhāra) e ao elemento terra, simbolizando:


  • base,

  • sustentação,

  • enraizamento,

  • suporte da experiência encarnada.


Sem essa série, nenhuma das outras se sustenta adequadamente.



Segundo grupo: as Séries Especiais - Quatro Vinyāsa Krama ligados aos elementos


O segundo grupo é formado pelas chamadas Séries Especiais e suas variações. São quatro séries, cada uma associada a uma qualidade orgânica fundamental, relacionada aos quatro elementos seguintes.


Essas qualidades não se restringem ao aspecto físico. Elas dizem respeito a um funcionamento global do organismo, envolvendo dimensões:


  • físicas,

  • energéticas,

  • respiratórias,

  • emocionais,

  • mentais.


As Séries Especiais são:


1. Sarasata Vinyāsa Krama

Série de mobilidade. Relacionada ao segundo chakra (Svādhiṣṭhāna). Elemento: água

Trabalha o fundamento da mobilidade, da fluidez e da adaptação, tanto no corpo quanto nos fluxos internos.


2. Balata Vinyāsa Krama

Série de força. Relacionada ao terceiro chakra (Maṇipūra). Elemento: fogo

Desenvolve o fundamento da força, da capacidade de sustentar ação, esforço e direção, sem rigidez nem dispersão.


3. Sthirata Vinyāsa Krama

Série de estabilidade. Relacionada ao quarto chakra (Anāhata). Elemento: ar

Trabalha o equilíbrio entre instabilidade provocada e estabilidade aprofundada, ação e repouso, estabilidade do corpo, respiração e mente.


4. Prasaritata Vinyāsa Krama

Série de flexibilidade. Relacionada ao quinto chakra (Viśuddha). Elemento: espaço

Aqui, flexibilidade não é apenas alongamento físico, mas a capacidade de expansão, abertura e conexão entre todos os níveis do organismo.



Terceiro grupo: a Série do Silêncio - Soma Namaskāra Krama


Após as séries ligadas aos elementos, o método entra em um novo nível de sutileza.


O terceiro grupo está relacionado ao sexto chakra (Ājñā) e é composto por práticas chamadas de Namaskāra Krama, não Vinyāsa Krama.


A principal delas é a Soma Namaskāra Krama e suas variações.


Aqui, a prática deixa de enfatizar:

  • organização da forma,

  • desenvolvimento de qualidades orgânicas,


e passa a educar a consciência para:


  • o silêncio,

  • o "não fazer",

  • o relaxamento,

  • a receptividade,

  • a diminuição do impulso de agir,

  • a diminuição da reatividade.


A Soma Namaskāra Krama atua como ponte:


  • entre as séries dos cinco elementos,

  • e as séries tradicionais do Haṭha Yoga Nātha.


Ela prepara a consciência para reconhecer o campo do silêncio antes de qualquer trabalho direto com prāṇa, eixo da coluna ou kuṇḍalinī.



Quarto grupo: a preparação das Séries Tradicionais Nātha


Āsana Krama

O último grupo é composto pelas sete séries tradicionais do Haṭha Yoga Nātha no nível de preparação, chamadas de Āsana Krama.


Essas séries estão relacionadas ao sétimo chakra (Sahasrāra) e, a partir dele, a todos os outros chakras, pois Sahasrāra é compreendido como:


  • a porta de entrada da consciência na forma,

  • e a porta de saída da consciência da forma.


É através de Sahasrāra que:


  • a consciência se identifica com a forma,

  • permite a individualização do prāṇa,

  • torna possível a experiência encarnada,

  • e também possibilita a desidentificação e a reabsorção no silêncio não diferenciado.


Nessa etapa de preparação das 7 séries Nātha, progressivamente:


  • o prāṇa é conscientizado,

  • e o prāṇā bandha é ensinado e consolidado.



Três modalidades técnicas de prática


O método organiza-se em quatro grandes grupos de séries, que são estruturados tecnicamente em três modalidades de prática. Essas modalidades não representam apenas diferenças pedagógicas ou de intensidade, mas modos distintos de relação entre corpo, respiração, movimento, pausa e consciência, cada uma com fundamentos técnicos próprios e finalidades específicas dentro da cartografia do Haṭha Yoga.



  1. Vinyāsa Krama (Maulika + Séries Especiais)


Vinyāsa Krama designa a modalidade de prática em que o eixo principal está no movimento encadeado e consciente entre os āsanas. Etimologicamente, vinyāsa deriva de vi (de modo específico, diferenciado) e nyāsa (colocar, dispor, estabelecer), indicando a colocação precisa de cada ação no tempo e no espaço; krama significa sequência, ordem progressiva, método.

Assim, Vinyāsa Krama é a organização sequencial de movimentos conscientes, em que a transição entre as posturas tem tanta relevância quanto as posturas em si. A prática é mais dinâmica, com permanências geralmente mais curtas, e a respiração é gradualmente integrada não apenas durante a permanência no āsana, mas também nas pausas e, sobretudo, nas passagens de um āsana a outro.

O foco não está na fixação da forma, mas na continuidade do fluxo respiratório e energético, educando a percepção do praticante para a coordenação entre movimento, atenção e respiração.



  1. Namaskāra Krama (Soma Namaskāra)


Namaskāra Krama constitui uma modalidade tecnicamente distinta, baseada em sequências de āsanas organizadas como gestos de saudação. Namaskāra deriva da raiz nam (inclinar-se, reverenciar), e carrega um sentido simbólico, ritual e devocional que não está presente nem no vinyāsa nem no āsana isoladamente.

Diferentemente do Vinyāsa Krama, cujo foco está na conexão funcional entre movimentos, o Namaskāra Krama estrutura-se como uma sequência em que o encadeamento dos āsanas expressa uma atitude de alinhamento e reconhecimento de um princípio maior — como o Soma, a grande presença do Silêncio ou outras potências cósmicas.

Aqui, o gesto corporal é inseparável da intenção simbólica: o movimento não é apenas funcional, mas sutilizado. Em relação ao āsana, o Namaskāra não privilegia a permanência prolongada, mas também não se define apenas pela transição técnica; ele se caracteriza pela forma sequencial integrada que sustenta uma qualidade específica de presença e sentido.



  1. Āsana Krama (Preparação das Séries Nātha tradicionais)


Āsana Krama é a modalidade em que o centro técnico da prática reside na permanência consciente na postura.

Diferentemente do vinyāsa e do namaskāra, aqui o destaque está na estabilização da forma, na pausa e na sustentação do āsana no tempo. No Haṭha Yoga tradicional, especialmente na linhagem Nātha, um āsana só pode ser tecnicamente reconhecido como tal quando inclui a prática de prāṇabandha prāṇāyāma — uma técnica respiratória específica que envolve uma mentalização precisa durante a permanência. O Āsana Krama organiza-se a partir das séries tradicionais da Nātha Sampradāya, tradicionalmente reconhecidas como sete séries, e seu objetivo é principalmente a reorganização do prāṇa, da mente e da estrutura energética do praticante. A permanência, o silêncio interno e a respiração qualificada constituem o núcleo dessa modalidade, que expressa de forma mais clara o caráter meditativo e alquímico do Haṭha Yoga.

 
 
 

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